Com tal objectivo, foi levantado um inquérito sobre as necessidades de formação dos bancos e efectuado um estudo in loco das estruturas de formação interbancária em Espanha, Bélgica, Inglaterra e França. Tais iniciativas, porém, não vieram a ter qualquer resultado prático, tanto mais que, logo a seguir, se deu a revolução de 25 de Abril.
Após a nacionalização da banca em 1974-1975, foi constituída a Comissão Coordenadora das Actividades Interbancárias de Formação, que desenvolveu diversas acções pontuais, mas se revelou incapaz de estabelecer um programa consequente e contínuo de formação bancária, de proporcionar uma oferta de formação estruturada, abrangente, integral e sequencial, de forma a elevar as qualificações técnico-profissionais dos trabalhadores bancários portugueses, a melhorar os níveis de produtividade e a responder aos novos desafios da informação e da telemática. Só mais tarde, em 10 de Janeiro de 1980, por iniciativa do Banco de Portugal, foi constituída, por escritura pública, a Associação de Formação Bancária (AFB), a antecessora directa, como já dissemos, do Instituto de Formação Bancária (IFB).
A Associação de Formação Bancária surgiu como uma entidade autónoma, tendo por objecto a formação profissional e o desenvolvimento dos trabalhadores que se encontrassem ao serviço dos associados, através da organização de cursos de formação profissional de base e de acções de aperfeiçoamento, reciclagem e especialização, podendo cooperar com quaisquer entidades, públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras, adequadas à prossecução do objecto referido.
Foram sócios fundadores da Associação de Formação Bancária os seguintes bancos:
Banco Borges & Irmão
Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa
Banco Fonsecas & Burnay
Banco de Fomento Nacional
Banco Nacional Ultramarino
Banco de Portugal
Banco Português do Atlântico
Banco Pinto & Sotto Mayor
Banco Totta & Açores
Crédito Predial Português
Montepio Geral
União de Bancos Portugueses
A Associação tinha como órgãos a Assembleia-Geral, a Direcção, o Conselho Fiscal e o Conselho Pedagógico este como órgão de consulta para a programação e acompanhamento das actividades de formação.
Para o primeiro triénio da actividade (1980-1982), foram designados para os cargos sociais os seguintes titulares:
Mesa da Assembleia Geral
Banco Nacional Ultramarino – Presidente
Banco Totta & Açores
Montepio Geral
Direcção
Banco de Portugal – Presidente
Caixa Geral de Depósitos
Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa
Banco de Fomento Nacional
Banco Fonsecas & Burnay
Banco Português do Atlântico
Conselho Fiscal
Banco Pinto & Sotto Mayor – Presidente
Crédito Predial Português
Dra. Ana Maria Bruno da Costa – Revisora Oficial de Contas
Assim, as instituições bancárias dirigiam a Associação de Formação Bancária através da Assembleia-Geral e da Direcção.
Integrava também a Associação o Conselho Pedagógico, órgão de consulta para a programação e acompanhamento das actividades da Associação de Formação Bancária, composto pelos responsáveis pelo Pessoal ou Formação dos associados e os responsáveis dos 3 Sindicatos (Norte, Centro e Sul e Ilhas).
A Primeira Direcção da Associação de Formação Bancária foi assim constituída:
Banco de Portugal
Dr. Brás Teixeira
Dr. Nogueira de Brito
Caixa Geral de Depósitos
Dr. Lopes Alves
Dr. Silva Pereira
Dr. Pires Lourenço
Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa
Dr. Ferreira Neto
Banco de Fomento Nacional
Dr. Herlander Estrela
Banco Fonsecas & Burnay
Engº Francisco Lacerda
Dr. Pecurto Abelho
Banco Português do Atlântico
Dr. Fernandes de Almeida
Dr. Ferreira dos Santos
Dr. Pereira Torres
A actividade corrente da Associação era coordenada por um secretário-geral, cargo para que foi nomeado o Doutor Francisco Monteiro, que pertencia aos quadros do Banco de Portugal.
Constituída em 1980, a Associação de Formação Bancária, apesar de ter desenvolvido algumas actividades pontuais em 1980-1981, apenas começou a dar passos firmes em 1982, ao promover acções de formação específica, que, embora de forma não sistemática, procuraram responder aos apelos mais instantes que os bancos e os sindicatos então levantavam.
Assim surgiram os Cursos de:
Iniciação à Organização e Métodos;
Iniciação ao Processamento de Dados;
Conceitos Fundamentais sobre Teleprocessamento;
Auditoria Interna;
Auditoria de Sistemas Processados em Computador;
Análise Transaccional;
Formação Pedagógica de Formadores;
Seguros de Créditos;
Segurança Bancária;
Língua Inglesa;
Seminários cujo tema, "Portugal e a Integração na CEE", estava então na ordem do dia e que, depois do sucesso obtido em Lisboa, tiveram lugar no Porto e em Ponta Delgada, Açores.
Em 18 de Outubro de 1982, iniciaram-se, por sua vez, os Cursos de Formação de Base, concretizando assim o grande objectivo que presidiu à criação da Associação de Formação Bancária e que constituía, como já vimos, uma aspiração antiga, vinda de 1972.
Sublinhe-se que, em Outubro de 1984, a Associação lançou o primeiro curso de formação profissional de base em ensino a distância. Logo nessa altura, as instituições financeiras se sentiram obrigadas a reflectir sobre a sua capacidade de adaptação a uma realidade cada vez mais competitiva e exigente quanto à qualidade dos seus recursos humanos.
A carência de formadores e de estruturas necessárias para uma coerente preparação dos vários agentes bancários impunha igualmente a adopção de novos métodos de ensino. O ensino a distância revelou-se então uma opção estratégica capaz de resolver os desafios que obrigavam a formar um elevado número de profissionais em pouco tempo, com economia de meios humanos e financeiros, sem se perder qualidade de ensino.
Com o curso de formação profissional de base em ensino a distância, a Associação de Formação Bancária veio, de modo pioneiro, dar início à preparação dos profissionais da banca em todo o país, incluindo os Açores e Madeira, que pretendessem estudar e valorizar-se tecnicamente sem que isso os obrigasse ao afastamento, por períodos prolongados, dos seus locais de trabalho.
A metodologia pedagógica de ensino a distância mostrou-se de tal forma oportuna e eficaz que a sua utilização rapidamente se generalizou a outros cursos, estando também na base de diversas acções de consultadoria posteriormente desenvolvidas no leste europeu e nos PALOP – Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.
Nos anos seguintes e até à integração da Associação de Formação Bancária como Instituto de Formação Bancária na Associação Portuguesa de Bancos, em 1 de Janeiro de 1986, foram realizadas novas acções, sendo de destacar:
- O lançamento de um curso dirigido a quadros superiores e intermédios da banca, abrangendo Economia, Operações Bancárias, Análise Monetária-Financeira e Direito Bancário (1983);
- Estabelecimento de um esquema de cooperação com o Banco Nacional da Guiné-Bissau, para o levantamento de necessidades de formação e realização de Cursos de Formação de Base (1983);
- Lançamento do Curso de Formação Profissional de Base em Ensino a Distância, no Continente e Regiões Autónomas (1984);
- Descentralização da formação em sala, com a realização de cursos para recém-admitidos e de aperfeiçoamento no Porto (1984);
- Estabelecimento de um programa de formação para o Banco de S. Tomé e Príncipe (1984);
- Alargamento da realização de Cursos de Formação Específica ao Porto, Madeira e Açores (1985);
- Realização de vários encontros de responsáveis de departamentos dos Bancos para equacionar necessidades de formação (1982-1985).
A evolução da actividade da Associação de Formação Bancária, entre 1982-1985, medida em função do número de participações, ultrapassou as 17 000.
Cinco anos após a sua criação e por deliberação da Assembleia-Geral da Associação de Formação Bancária, de 25 de Novembro de 1985, foi decidida a integração da AFB na então constituída Associação Portuguesa de Bancos, como Instituto de Formação Bancária, a partir de Janeiro de 1986.
A Actividade do Instituto de Formação Bancária (desde 1986 ...)
Na sequência da criação da Associação Portuguesa de Bancos, em 1985, a Associação de Formação Bancária (AFB) passou a designar-se por Instituto de Formação Bancária (IFB), tendo sido integrado, em 1 de Janeiro de 1986, naquela Associação, processo este que procurou acompanhar, simbolicamente, a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE), cujo tratado foi assinado em 1985, e passou a vigorar a partir de 1 de Janeiro de 1986.
A Associação Portuguesa de Bancos, constituída ao abrigo e em conformidade com o disposto na lei, nomeadamente o decreto-lei n.º 215-C/75, de 30 de Abril, com vista à prossecução e defesa de interesses comuns dos associados, foi constituída com o objectivo de "promover e praticar todos os actos que possam contribuir para o progresso técnico, económico e social da actividade própria dos associados e para a prossecução e defesa dos interesses destes perante quaisquer entidades públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras", nomeadamente promover, através do Instituto de Formação Bancária, a formação e aperfeiçoamento profissional do pessoal bancário, nos termos do capítulo VI dos seus estatutos.
Com efeito, estes esclareciam que o Instituto de Formação Bancária teria por objecto "a formação profissional de base e as acções de aperfeiçoamento, reciclagem e especialização dos empregados bancários e bem assim o ensino, a vários níveis, em domínios respeitantes à actividade bancária ou com ela conexos", podendo cooperar com quaisquer entidades, públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras, visando a prossecução de tais fins.
O Instituto de Formação Bancária passou a ter um orçamento autónomo, devendo, em princípio, cobrir as suas despesas com as receitas resultantes da sua prestação de serviços.
O Instituto de Formação Bancária, dando continuidade ao trabalho anteriormente desenvolvido pela Associação de Formação Bancária e tendo assim como finalidade promover a elevação das qualificações técnico-profissionais da classe bancária portuguesa, tem vindo a desenvolver um conjunto de iniciativas dirigidas à criação de uma estrutura de formação integrada e sequencial, que lhe atribuiu o sentido de uma verdadeira Escola Bancária, abrangendo a formação de base, a formação intermédia e a formação superior, que passou a disponibilizar às instituições financeiras e outras e, consequentemente, à população bancária em geral, a todos quantos se candidatam à profissão bancária, bem como àqueles que desempenham funções na área financeira, numa progressão segura, metódica e coerente das suas actividades, pautada pela criação e lançamento do:
- Curso Avançado de Gestão Bancária, em 1987;
- Curso Regular de Formação Bancária, em 1989;
- Instituto Superior de Gestão Bancária, em 1991;
- Curso Geral Bancário em regime de alternância-aprendizagem, em 1992;
- Escola Virtual, em 1997;
- WebBanca – Formação Bancária Online, em 2000.
A par desta formação, o IFB criou e continua a desenvolver permanentemente cursos das áreas bancárias e financeiras, ajustados às necessidades da população-alvo para diferentes níveis e utilizando diferentes metodologias, actividades e iniciativas que, desde 1990, passaram a ter como pano de fundo um profícuo relacionamento internacional.